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Será que você também não é autista?

16 de set.
2 min de leitura

Atualizado: há 7 dias

Hoje me sinto exausta demais. Corpo com dores, rosto e dedos das mãos inchados, doloridos. Quero meu quarto, minha casa, e nada mais. 


Estar diante de muitas pessoas, atendendo a cada uma, com suas histórias de vida diferentes, sorrisos tensos, semblantes endurecidos, tentando demonstrar quase que instantaneamente que estão bem — enquanto os olhos claramente denunciam. Isso me desgasta. Por anos escondi quem eu de fato era. Por medo de ser rejeitada. Ou por nunca entender de verdade a pessoa em que eu tinha me tornado — só me sentia superficial demais.

Mas depois do diagnóstico, a cada passo, uma nova descoberta. É como se eu estivesse retirando cascas e mais cascas de cebola de mim mesma. E te digo: o mascaramento era tão natural pra mim que, até hoje, às vezes me pego sendo o que queriam que eu fosse. Mas assim que percebo, volto ao meu estado natural — do jeitinho como Deus me criou. Me impuseram muitos rótulos, e eu aceitei. Mas nenhum deles define quem eu realmente sou.

Se você quer descobrir se é autista, vou deixar aqui algumas dicas.

O autismo em mulheres adultas costuma passar despercebido por causa do masking. Foi assim comigo, e com dezenas de outras mulheres que tive a honra de conhecer. Vamos começar do início: você sabe o que é masking? É a camuflagem social que usamos pra sermos aceitas. A gente aprende isso ainda pequena, com os pais, com a família, sem nem perceber que está aprendendo.

Observe os sinais do seu próprio corpo — fome, sede, dor, cansaço. Observe também como você reage aos estímulos ao redor: som alto, cheiro forte, luz, etiqueta de roupa, textura. Pense na sua vida inteira, olhando pra duas áreas principais.

Comunicação e interação social: esgotamento profundo depois de qualquer interação. Dificuldade de entender regras que todo mundo parece saber. Necessidade de ficar sozinha pra recarregar. Ou aquela sensação antiga, constante, de não se encaixar em lugar nenhum.

Padrões repetitivos e restritos: hiperfoco — aquele interesse profundo, quase obsessivo, por determinados temas. Necessidade rígida de rotina, de previsibilidade. E os movimentos repetitivos, o stimming, que usamos pra nos regular emocionalmente.

Se achar necessário, anote num caderno tudo que você foi percebendo em você desde pequena. Depois, procure um profissional — psicólogo ou psiquiatra. Eles vão te ajudar. A sensação de descobrir o Transtorno do Espectro Autista é de libertação. A gente passa a entender a própria vida, as próprias atitudes, as reações — as suas e as dos outros — e tudo começa a fazer sentido. Uma paz se instala. A gente começa a se amar mais, a se acolher mais. Isso aconteceu comigo. Continua acontecendo. Somos únicas, e precisamos valorizar, aceitar e dar importância a quem somos. Porque, no final, somos só nós mesmas. Com Carinho Mag Ilgenfritz


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