O que é masking no autismo feminino? Entenda por que tantas mulheres chegam ao diagnóstico apenas na vida adulta
Você já terminou um encontro, uma reunião ou até uma conversa simples completamente esgotada, mesmo sem ter feito esforço físico?
Para muitas mulheres autistas, esse cansaço não acontece porque elas falaram demais.
Acontece porque passaram horas tentando parecer alguém que não são.
Esse comportamento recebe o nome de masking, também conhecido como camuflagem social.
É uma estratégia, muitas vezes inconsciente, utilizada para esconder características do autismo e tentar se adaptar às expectativas das outras pessoas.
O que é masking?
Masking significa observar o comportamento das outras pessoas e reproduzi-lo para evitar críticas, rejeição ou julgamentos.
Muitas mulheres aprendem, desde crianças, a:
ensaiar mentalmente conversas;
forçar contato visual;
controlar movimentos naturais do corpo;
esconder interesses intensos;
sorrir mesmo quando estão desconfortáveis;
imitar expressões faciais para parecerem mais "naturais".
Essas estratégias podem funcionar socialmente, mas têm um custo emocional muito alto.
Por que isso acontece mais com mulheres?
Durante muito tempo, os estudos sobre autismo foram baseados principalmente em meninos.
Além disso, muitas meninas são incentivadas desde cedo a serem educadas, discretas e sociáveis.
Sem perceber, acabam aprendendo a esconder suas dificuldades para se encaixar.
Isso faz com que muitas passem anos recebendo diagnósticos de ansiedade, depressão ou outros transtornos antes que o autismo seja investigado.
O preço da camuflagem
Viver usando uma máscara todos os dias exige muita energia.
Com o passar dos anos, isso pode provocar:
exaustão constante;
ansiedade;
sensação de não saber quem realmente é;
dificuldade para manter relacionamentos;
burnout autista.
Muitas mulheres relatam que chegam em casa completamente sem energia após um dia inteiro tentando parecer "normais".
Receber um diagnóstico muda tudo?
O diagnóstico não muda quem você é.
Ele muda a maneira como você compreende a sua própria história.
Muitas mulheres descrevem esse momento como um alívio.
Pela primeira vez, elas entendem que não eram difíceis, preguiçosas ou exageradas.
Apenas estavam tentando sobreviver em um mundo que esperava delas um funcionamento diferente daquele que seu cérebro naturalmente possui.
Uma última reflexão
Se você passou a vida inteira acreditando que precisava esconder partes de quem é para ser aceita, talvez não exista nada de errado com você.
Talvez você apenas tenha aprendido cedo demais a usar uma máscara.
Conhecer sua própria história pode ser o primeiro passo para viver com mais leveza, autenticidade e respeito por quem você realmente é.
Se este artigo fez sentido para você, talvez minha história também faça.
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